domingo, 9 de fevereiro de 2014

ACRÓSTICOS


Publico, hoje, quatro acrósticos. Todos eles em coautoria com o Nilceu – o Velhinho, como costumo chamá-lo de longa data.
         O primeiro, escrito ontem, dia 8 de fevereiro, é em comemoração aos nossos 45 anos de casados.
         O segundo e o terceiro – coisa de avós saudosos – escritos em Santa Maria, na casa da minha mãe, em dezembro de 2010.
         O quarto, uma homenagem à minha mãe, Iolanda, que atravessou a ponte para o outro lado da vida, poucos dias antes de completar 93 anos, em novembro passado. Foi posto num marcador de página e oferecido a familiares e amigos.


                      QUARENTA E CINCO ANOS JUNTOS




Quanto tempo!
Uma vida!
Ano após ano
Respeito mútuo
Emoções vividas.
No dia a dia
Tivemos sempre
Amor, carinho, muito fervor!

E assim fomos vivendo!

Com nossos filhos
Inicialmente
Netos mais pra frente.
Cada qual
Orgulho sem igual!

Aliris
Nilceu
Outrora ela e ele sem complementos
Somos hoje conjunto de dois elementos!

Juramos um dia
União pra vida toda
Na alegria e na tristeza.
Temos cada dia
Orgulho dessa busca toda
Sonho de amor, poesia, muita beleza...







ACRÓSTICO PARA EDUARDO



Estiloso
Divertido
Unico
Amado
Risonho
Dengoso
Orgulho do vovô e da vovó!





ACRÓSTICO PARA ISABELA
                                 



Inteligente
Sabida
Alegre
Bela
Elegante
Linda
Amada do vovô e da vovó!





ACRÓSTICO PARA IOLANDA





Gostou? Então... comece hoje mesmo a fazer seus acrósticos, é fácil e divertido, além de que o homenageado vai ficar muito feliz. Faça como eu, conte com ajuda. Fica mais divertido ainda!



Amorosamente, Aliris
     09.02.2014



                    



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

FELICIDADE


Todos a procuram e, quando a encontram, parece que a tratam como se clandestina fosse; parece que não a retêm, que é difícil conviver com ela. Estranho paradoxo!
Mas, afinal, o que é realmente a felicidade? Aquela que sempre uns desejam aos outros em datas comemorativas como aniversários, festas de fim de ano ou em situação novas buscas, conquistas...
Para mim, a felicidade está nas coisas simples e ao alcance de todos. Ela está no bate-papo amoroso com as pessoas queridas, no curtir um bonito dia de sol ou uma tarde chuvosa para um bom café com ou sem bolinho de chuva, numa leitura, num tricô ou em assistir a um filme do nosso agrado. Essas são opções deliciosas para mim, mas cada um tem as suas, é claro!
É só escolher, há tantas coisas simples ao alcance de todos! Basta aquietar o coração e se deixar envolver por aquilo que lhe traga bem-estar.
Logo logo, com certeza, você já estará sentindo uma pontinha da felicidade, mas, para que ela vá se expandindo e tomando conta de seu coração, um detalhe não pode ser esquecido: a felicidade tem de ser cultivada, regada a cada dia para que cresça e preencha nossa vida. Ela não está pronta na prateleira do nosso armário, do supermercado ou do Shopping Center próximo ou distante.
         Para mim, não existe explicação de felicidade mais simples e clara que a de Machado de Assis, no trecho que a seguir transcrevo.

    Cansado e aborrecido, entendi que não podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra, e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade. Hoje, almocei, fumei um charuto e debrucei-me à janela. No fim de dez minutos, vi passar um homem bem trajado, fitando a miúdo os pés. Conhecia-o de vista; era uma vítima de grandes reveses, mas ia risonho, e contemplava os pés, digo mal, os sapatos. Estes eram novos, de verniz, muito bem talhados, e provavelmente cosidos a primor. Ele levantava os olhos para as janelas, para as pessoas, mas tornava-os aos sapatos, como por uma lei de atração, anterior e superior à vontade. Ia alegre; via-se-lhe no rosto a expressão da bem-aventurança. Evidentemente era feliz; e talvez, não tivesse almoçado; talvez mesmo não levasse um vintém no bolso. Mas ia feliz, e contemplava as botas.
    A felicidade será um par de botas? Esse homem, tão esbofeteado pela vida, achou finalmente um riso da fortuna. Nada vale nada. Nenhuma preocupação deste século, nenhum problema social ou moral, nem as alegrias da geração que começa, nem as tristezas da que termina, miséria ou guerra de classes, crises da arte e da política, nada vale, para ele, um par de botas. Ele fita-as, ele respira-as, ele reluz com elas, ele calca com elas um chão de um globo que lhe pertence. Daí o orgulho das atitudes, a rigidez dos passos, e um certo ar de tranquilidade olímpica...
    Sim, a felicidade é um par de botas.


                                                        Machado de Assis. Histórias sem Data.
                                                       Obras completas de Machado de Assis.
                                                       São Paulo: Mérito, 1962. v.13, p. 56-57.


Só me resta calar! Que mais poderia eu acrescentar?!

                                                     Amorosamente, Aliris
                                                          19.01.2014


sábado, 28 de dezembro de 2013

BYE-BYE, 2013!




É inevitável, o final do ano se aproxima e cada qual, a seu modo, faz o balanço das alegrias e das tristezas; das vitórias e das derrotas; dos erros e dos acertos; enfim reavalia as situações vividas ao longo do ano.
Este, não está sendo diferente para mim, sobretudo porque, em novembro passado, tive uma grande perda: minha mãe partiu e, embora minha vida seja prenhe de seus ensinamentos e exemplos, estou órfã de sua presença. Mãe é mãe, mesmo quando extremamente frágil, estar com ela é um conforto espiritual, um sentir-se criança, adolescente, com 20, 30 anos... Ela sintetiza o que fomos, o que somos...
A casa materna, seja ela qual for, tem uma magia incomparável: além da onipresença paterna, fotos, objetos, lembranças mil, documentos antigos... até nossos boletins escolares! Uma delícia rever todas essas maravilhas...
É! Perdi, além da minha mãe, todos esses encantos que só sabemos o verdadeiro valor quando deixamos de tê-los, porque nunca nos imaginamos sem eles: eram parte de nossas vidas! Um novo aprendizado será mister!
Uma certeza, no entanto, me anima: sei que terminei o ano, mais forte, mais bem preparada para prosseguir minha jornada. É assim... as surpresas não param! Quando se pensa estar pronta para todos os desafios que nos são impostos, ainda temos muito o que aprender com as experiências vividas e nem sempre fáceis, mas que nos completam como pessoa.
Considero que o ano foi difícil não apenas no aspecto pessoal. Para mim, como brasileira e cidadã deste planeta, lastimo pelo que houve tanto no cenário nacional como no mundial: desamor, catástrofes, tragédias, insegurança, enfim tantos acontecimentos que nos aterrorizaram e que dormem ameaçadores perto e longe de nós. Infelizmente, sabemos, com certeza, que uma atitude tomada mesmo a milhares de quilômetros de distância poderá modificar o nosso amanhã ou até o nosso daqui-a-pouquinho.
O ano está terminando, leva consigo tristezas e deixa lições, algumas de duro aprendizado, mas deixa também amores vividos, sorrisos trocados, família reunida, amigos presentes, sonhos concretizados.
É por tudo isso que o meu bye-bye para 2013 é também cheio de agradecimento. E, com muita fé, posso dizer, avante! Que venha 2014! Sei que chegarei lá mais forte, tanto pelas difíceis experiências vividas, como também por tudo de bom que este ano me proporcionou.
Assim, renovo o propósito de me esforçar ao máximo para ser mais humana, solidária e amável a cada dia do novo ano.


Amorosamente,  Aliris
21.12.2013



SOBRINHOS QUERIDOS



A nossa grande matriarca – que, nos últimos 32 anos, sintetizou também a figura paterna – recentemente atravessou a ponte para o outro lado da vida... nos deixou órfãos de sua presença.
Filhas, genros, netos e seus cônjuges, bisnetos, cada qual a seu modo, sente essa lacuna e reverencia o quão importante ela foi para cada um de nós, em diferentes momentos de nossas jornadas.
Muitas vezes, eu sei, foi severa, mas, como dizia meu pai, ela era muito matemática: não se permitia um erro, um sair da linha, um folgar na hora indevida. E essa inflexível retidão era extensiva a nós. É assim mesmo, cada um tem o seu jeito de amar! Sei, esse entendimento, só o tempo nos permite!  Mas, uma certeza sempre tivemos, ela nos amou, nos cuidou, nos orientou, enfim a cada um deu o seu melhor! Ora nos dava a mão, ora nos afagava em seu regaço e, se isso não bastasse, nos carregava em seus braços. Tudo com naturalidade, dedicação, desprendimento, sem nada pedir em troca.
Hoje, embora a maioria de nós geograficamente separados, temos de prosseguir unidos pela sua herança e amparados pelo aconchego do pálio de tão exemplar legado.
Neste momento, vamos comemorar o Natal e o Novo Ano esteados na inestimável riqueza que recebemos e que temos, por dever, de repassar às gerações futuras porque sabemos o quanto essa herança nos sustenta nas horas difíceis e nos anima na busca de nossos sonhos e ideais.
Mesmo distante, para marcar minha presença nessas comemorações, envio uma receita saborosa para ser servida na festa de cada um de vocês.





 INGREDIENTES
Família: nosso apoio nos bons e maus momentos./ Amigos: nunca deixe faltar./ Paciência: a maior possível./  Lágrimas: enxugue-as todas./ Sorrisos: Os mais variados possíveis./ Paz: em grande quantidade./ Esperança: não a perca jamais./ Coração: quanto maior e mais puro, melhor./ Amor: use e abuse./ Carinho: fundamental./ Perdão: à vontade.





MODO DE PREPARAR
Reúna a família e os amigos. Esqueça os maus momentos. Enxugue as lágrimas que porventura persistam e substitua-as por sorrisos. Junte a paz e o perdão e distribua a todos. Deixe a esperança crescer à vontade em seu coração.
Depois de misturar todos esses ingredientes, sirva-os com amor e carinho e acrescente, de sobremesa, sonhos e muito bom humor.
 

P.S.
1º– Essa receita vocês podem servir sempre que quiserem; fiquem à vontade.
2º – Vou enviar cópia para minhas irmãs e meus filhos.
3º – Querem saber a verdade? Como estou com muita vontade de estar com cada um de vocês, resolvi, à moda antiga, enviar pelo correio esta mensagem. Sei: cada um vai parar, ler, refletir... É uma forma de estarmos juntos, pelo menos um pouquinho! 


                                                        Amorosamente,   Aliris

                                                Brasília, 14 de dezembro de 2013.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

PARA  ANA LUCIA, MINHA IRMÃ


  Este caderno é um pequeno e, ao mesmo tempo, grande presente que te ofereço. Pequeno porque comprado numa papelaria qualquer, embora a capa tenha sido escolhida a propósito e com muito cuidado; grande porque, acho, possa ser também uma janela da tua alma, onde se debruçarão os registros miúdos e amorosos de teus cachorros, gatos, gansos, coelhos, galinhas, sem esquecer, é claro, das três franguinhas de unhas pintadas e da visita de uma delas ao veterinário.
Esquece a cronologia que pode até ser um fator limitante, vai escrevendo à medida que um ou outro bicho vem à lembrança ou quando apertar a saudade de algum deles. Mas, é claro, o Itu tem de ser o primeiro do caderno, não necessariamente a ser escrito. É só reservar uma ou duas folhas no início pra história dele!
Lembra que escrever é 10% inspiração e 90% transpiração. Faz como eu: os meus cadernos são apenas inspiração, depois que digito e imprimo, é que corrijo. Essa etapa é uma curtição: leio, releio, acrescento, “desacrescento”, corto, modifico, mas a essência, o sentimento que me fez redigir, é intocável. O Nilceu é, nessa fase, o meu grande interlocutor e conselheiro. Se quiser, posso ser a tua na fase final, se é que um dia tu vais querer mostrar teus escritos, fazer um blog, publicar todos ou alguns deles. Isso é assunto pra mais tarde! No momento apenas escreve sobre o que quiser, o caderno é teu: o reino de tuas lembranças e fantasias. Nele não há censura, erro de português, nada que possa limitar!
Escrever por inspiração é muito gostoso e divertido. Às vezes, ao reler meus escritos, me pergunto: será  que eu mesma escrevi isso? Como não gosto de ficar apenas com inquietações, fui atrás da resposta e, um dia, encontrei, em Fernando Pessoa, uma possível explicação. Ele questiona num poema se não somos “neste mundo apenas canetas com tinta com que alguém escreve a valer o que aqui nós apenas traçamos?”
 Fica à vontade para escrever, não escrever, rabiscar, colar fotos, figuras, desenhar ou, como dizia a mãe,” para o que melhor te aprouver!” Talvez possas ser apenas caneta e tinta. Nunca se sabe!


                                               Amorosamente,    Aliris
                                         Brasília, 04 de junho de 2013
        

P.S.1: Saiba também: escrever é como cólica, tem de ser naquela hora! Não dá pra adiar!
P.S.2: A primeira página do caderno tem um envelope pra guardar anotações, aquelas que tu vais escrever no ônibus, no avião, nas salas de espera.






ANIME-SE!


Você que me lê e também tem seus escritos – poemas, histórias breves ou longas, reflexões, receitas, dicas, piadas que você anotou ao longo dos anos, seja lá o que for – traga-os a lume! Será uma curtição tanto para você como para todos que tiverem a oportunidade de lê-los.
A esta altura, já lhe passou pela cabeça que eu exponho meus textos nas minhas janelas porque sou professora de português, revisora, já na década dos “sessentas”! Nada a ver!
Escrever, contar histórias, poetar nada mais é do que expor nossa sensibilidade, impressões, ideias, sentimentos... O “gramatiquês” que tanto estudei e usei, pode até atrapalhar porque está sempre a frear a espontaneidade, a fluidez; já os “sessentas” talvez me favoreçam porque  me permitem usar chapéu violeta ou mesmo carregar uma cesta de flores em horas e lugares improváveis ou qualquer coisa que possa parecer estranho, sem nenhuma preocupação ou medo de parecer ridícula! Essa é apenas uma das muitas conquistas da maturidade!
Este é o empurrãozinho que espero lhe dar! Eu tive o meu: um dia, minha filha Raquel me disse que eu deveria ter um blog para publicar meus textos, afinal havia tantas coisas bem escritas (no julgamento dela!) nos meus “cadernos de anotações da vida”, como chamo os cadernos onde escrevo*. Antes mesmo que eu pudesse refletir e tomar a decisão, ela já havia criado meu blog e publicado alguns textos que já estavam digitados e formatados. Creia, essa experiência  tem sido muito gratificante!
Que eu seja a Raquel do seu caminho! Sei de gente que guarda seus escritos, em prosa ou verso, a sete chaves. Aproveite este empurrãozinho e comece já, já! E não se esqueça de anunciar seu blog aos quatro ventos!
Estou aguardando notícias de novos blogs! Não perca mais tempo!


                                            Amorosamente,  Aliris
                                                         30.10.2013


*Cada um tem sua forma de escrever. A minha é sempre a lápis, nos cadernos de anotações da vida. O custoso pra mim é digitar.







    Esse caderno foi confeccionado pela minha sobrinha Luciana, uma grande artista!




PARA ESCREVER: SAIBA!


Já que lhe sugeri compartilhar seus escritos, longe de pretender ensiná-lo, repasso breves lembretes de grandes escritores e até mesmo de “imortais” sobre essa tarefa prazerosa, mas nem sempre fácil – até para eles! Imagine para nós, “míseros mortais”?!

"Para mim, o ato de escrever é muito difícil e penoso, tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. Basta dizer, como exemplo, que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300."
(Fernando Sabino)
           
           
"Quando escrevo para mim mesmo, costumo ficar corrigindo dias e dias – uma curtição.
Corrigir é estar vivo."                                                     (Paulo Mendes Campos)

           
"... rapaz, tive sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.
            Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café, sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado), aí eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica."                                                        (Carlos Drummond de Andrade)

           
"As palavras certas no lugar certo."               (Jonathan Swipt, escritor anglo-irlandês)

           
"O que se concebe bem
 se enuncia claramente e
 as palavras para dizê-lo
 chegam facilmente."                                               (Nicolas Boileau, poeta francês)

           
"Escrever é um trabalho duro. Uma frase clara não sai por acidente e poucas saem na primeira, na segunda ou mesmo terceira tentativa. Lembre-se disso como consolo nos momentos de desespero."                        (William Zinsser, escritor norte-americano)

           
"Escreve claro quem concebe ou imagina claro."
(Miguel de Unamuno, filósofo espanhol)

"Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta."                                                               (Paul Valéry, poeta francês)

           
"Uma palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito."
(Voltaire, escritor francês)

           
"Reescrevi trinta vezes o último parágrafo de Adeus às Armas antes de me sentir satisfeito."                                              (Ernest Hemingway, escritor norte-americano)

           
"É preciso descascar o texto como quem descasca uma fruta, ir buscar a semente. Escrever é principalmente cortar.”                                                    (Fernando Sabino)


"Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho."
(Clarisse Lispector)

"Tudo que é fácil de ler é difícil de escrever — e vice-versa."         (Telmo Monteiro)


"Tenho a impressão de que a frase nasceu para ser corrigida."                        (Nélida Piñon)


"O processo de escrever é naturalmente o de reescrever. A primeira versão de um texto é apenas um rascunho, não traz mais que o embrião das idéias."                  (Lucília Garcez)

“O estilo deve ter três virtudes: clareza, clareza e clareza.”   (Anatole France)

"Nasce-se para escrever bem, mas é preciso também estudar para escrever cada vez melhor."                                                                                                         (Jorge Amado)

Segundo Jorge Amado, para escrever bem, é necessário:
1º– Escrever sempre, sempre, sempre.
2º– Exercitar-se e aperfeiçoar o texto.
3º– Ler, ler muito.




Essas opiniões que você acaba de ler e que, com absoluta certeza, lhe deixaram mais confortável para escrever e reescrever seus textos quantas vezes julgar necessário, já fizeram parte de meus cursos sobre produção de texto enquanto dei aulas. Assim explico porque, embora já não dê mais aulas, continuo professora: uma vez professora, sempre professora.
  

                                                              Amorosamente,  Aliris
                                                                        31.10.2013



sexta-feira, 27 de setembro de 2013


HÁ 40 AN0S...


É isso mesmo, Nilceu, depois de amanhã completaremos 40 anos de casados, sem contar os outros quatro de namoro, noivado, enfim, de amorosa convivência.

Nos últimos dias, muitas vezes, tu chegas perto de mim e comentas: “Como esse tempo passou depressa!” Certamente! Mas existem razões que bem podem nos explicar o porquê dessa rapidez.

Desde que nos conhecemos, em 16 de maio de 1965, passamos a viver um para o outro: em cada fase da vida, de acordo com as necessidades e exigências familiares e/ou profissionais, de uma forma mais próxima ou um pouco mais distanciados, mas sempre pautados pelo amor e pelo nosso código de ética, que foi sendo tacitamente estabelecido ao longo do tempo e, para nós dois, de absoluto respeito.

Nesses anos todos, compartilhamos a vida: houve momentos maravilhosos, outros bons, outros nem tanto... houve também os difíceis, os muitos difíceis, mas superados pelo amor e pelo respeito mútuo.

Entre os momentos maravilhosos, podemos lembrar o dia em que nos conhecemos, o que nos casamos, o nascimento do Junior, da Raquel  e da Mauren (o nascimento de cada um deles foi especial, diferente, particular); a chegada do Eduardo e da Isabela, o que, embora tenha me obrigado a dormir com o vovô e tu, com a vovó, nos trouxe também uma nova e rica experiência de vida. A presença da Nonô na família que, tenho certeza, é uma filha que veio para nós de outra forma.

Entre os bons momentos, considero nossas conquistas profissionais e também as materiais. Não posso esquecer as acadêmicas, pois tanto eu como tu concluímos o curso superior e o mestrado já caminhando juntos.

Os que não foram tão bons prefiro esquecer, e dos difíceis guardo as sábias lições que sempre soubemos tirar desses fatos inevitáveis.

A rapidez desse tempo se deve também aos inúmeros sonhos que acalentamos para nós e para nossos filhos: o empenho para tudo isso exigiu tempo, dedicação, compartilhamento...

Tudo nos envolve e faz o tempo parecer voar... Mas como disse Fernando Pessoa: “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.

Enfim, no balanço que, hoje, faço da nossa vida a dois, posso dizer que os momentos positivos superaram em muito aqueles que não foram bem como gostaríamos que tivessem sido. Embora não seja muito dada a cálculos, afirmo que, com certeza, o lado bom corresponde a, no mínimo, 95% desses anos. Estou certa? Aceito ser corrigida...

O que aqui expressei, são breves registros daquilo que me vai n’alma, mas ainda preciso refletir um pouquinho mais tanto sobre o passado como sobre o futuro. No que diz respeito àquele, não posso deixar de prestar meu tributo de gratidão a nossos ascendentes e irmãos, que nos deram a base necessária para nossas vidas e/ou o apoio em cada momento alegre ou triste, mas sempre presenças decisivas, carinhosas, amorosas...

Quanto ao futuro, basta apenas continuar  cultivando nossos valores e bem vivendo a vida, pois  em termos familiares, profissionais e sociais, penso que, até aqui, a lição está muito bem feita, não digo concluída, pois sempre há o que se fazer...

Com relação a nossos filhos, acho que lhes demos raízes e asas – é só curti-los, amá-los, partilhar com eles os bons momentos, as conquistas, as alegrias e ampará-los em suas dificuldades.

Com relação aos netos, amá-los muito e educá-los pelo exemplo, apenas chamar a atenção quando absolutamente necessário, pois esse papel não é nosso, senão em raras exceções, digo até raríssimas.

Com relação a mim, felizmente, tenho ainda que zelar pela minha mãe e cultivar a amável, carinhosa e respeitosa convivência com minhas irmãs e sobrinhos. Com relação a nós, minha sugestão é viver, cada vez mais, pautados pelo amor, pela ética e respeito a nossas individualidades, pois, certamente, foi isso que nos fez tão felizes até aqui, que até nos parece que não são 40 anos... temos a sensação de que foram, talvez, 10, 15... Sei apenas que vivemos, demos vida que se transformaram em novas vidas, que espero, possamos continuar dando a essas vidas nosso testemunho do que seja realmente viver.



                               Amorosamente, Aliris

Casa da árvore*, 06/02/2009





*Em nosso quintal, existe uma gostosa casa na mangueira que fascina não só as crianças como também os adultos.