sábado, 3 de janeiro de 2015

MEU CANTO, MEU RECANTO, MEU ENCANTO



         É assim que sinto a minha casa, meu lar, meu refúgio deste mundo nada fácil. Aqui vivemos eu e o Nilceu – quando nos mudamos para cá, há mais de 20 anos, éramos cinco, mas os filhos, como é natural, sem esquecer as raízes, bateram asas e cada qual foi em busca do seu próprio caminho.


                   Sei que o espaço físico é grande demais para duas pessoas, mas cada canto desta casa é especial: fala de passado, presente e, muitas vezes, até de futuro. Acalenta meus sonhos, me dá conforto, intimidade, inspiração... me faz feliz.
         Esta é a casa em que morei por mais tempo ao longo da vida. Nela passei incontáveis momentos de alegria que os que não foram bons ou tão bons se esvaíram entre risos, companheirismo, amigos presentes, visitas de filhos, nora, netos... Enfim, este é o meu mundo!
         A minha casa tem espaço para tudo: amor, amizade, trabalho, introspecção, lazer e, agora, até para artesanato, que nada mais é do que um espaço de convivência que fortalece amores e amizades se estreitam mais e mais.
        Para o artesanato, inspirada no ateliê da minha irmã Ana Lucia, montei, há pouco tempo, num dos quartos da casa, o meu.


           Como sugere o nome, uma tarde no ateliê, regada com boa conversa, trabalho descompromissado e chá inglês (presente do Edson e da Eliane) vale por meses de terapia. Ao juntar retalhos, tecer fios ou preparar enfeites de Páscoa ou de Natal, a conversa flui, os sentimentos afloram, se firmam, se confirmam... A minha (três vezes) comadre Tânia sabe muito bem disso!
         Amo minha casa tanto no aspecto físico como no psicológico. É claro que, embora distintos, se sobrepõem: o quadro que lembra a terra natal, as relíquias de família vistas aqui e ali, os potes cheios de guloseimas para os netos, mas que os filhos também curtem, a gaveta do Dudu e a da Bebela com o básico para ficar um ou dois dias com o vovô e a vovó.
         A área externa é também uma delícia. As varandas – lugar de incontáveis comemorações – merecem destaque especial. Uma delas abriga a “mesa da diretoria”, com 12 lugares, muito disputada em dias de reuniões de amigos ou aniversários: os adultos se julgam com a preferência, mas os jovens também não abrem mão de seu espaço. Uma curtição... pena que, no último aniversário do Nilceu, minha amiga-irmã Clarice ficou muito desapontada porque, como chegou mais tarde, teve de se refugiar em outra mesa...ela ficou inconformada! Nada que não se resolva: hoje ela já tem cadeira cativa. E a Marinês também: elas são inseparáveis.
         O pátio, para me expressar em gauchês legítimo, com a policromia das flores e árvores frutíferas, encanta! Lá estão a pracinha, a casa da árvore, a casa de boneca, a piscina e até a Branca de Neve e os sete anões – meu sonho de infância, e também o Tuco  e o Biscoito, os cachorros do Dudu, sempre a interagir com os que chegam.
         Existe também o caramanchão (pérgola) que, desde outubro passado, adquiriu significado mais do que especial: foi o pálio de flores amarelas que abrigou a cerimônia civil que confirmou a união do Junior e da Nonô, juntos há 19 anos.
  


         É, também, no pátio que convivo com várias espécies de pássaros que têm, por todo lado, casinhas para se abrigarem, procriarem, quando não são eles próprios que as constroem.  O canto dessas diferentes espécies se fundem, se confundem em harmoniosa orquestra que dispensa maestro ou qualquer outra formalidade... tudo composto pelo cantar de um, o replicar de outro, outro, outro... Ouvi-los enfeita meus dias e me faz lembrar, mais uma vez, que a verdadeira beleza está ao nosso lado. Basta exercitar a sensibilidade para descobri-la!
        

         Por tudo isso, tenho tido, cada vez mais, vontade de ficar em casa. Aqui tenho ambiente e espaço para fazer o que gosto: ler, receber amigos e familiares, escrever, bater-papo com pessoas queridas, tricotar, fazer algumas costurinhas, meditar ou o que mais achar bom... tudo no aconchego deste teto que me protege, me estimula, me preenche!
         É na minha casa que me escondo, na medida do possível, da brutalidade, do desrespeito explícito – do implícito, é impossível – enfim de tudo o que não deveria existir.
         Acho que estou pondo em prática o que sempre pensei: “Conquiste as coisas e se de tempo para desfrutá-las”. De fato, tudo o que hoje desfruto, nada mais do que conquistas, quer no aspecto material, quer no imaterial que, para mim, é de valor incalculável.


Amorosamente, Aliris

27.11.2014
MINHA PARTICIPAÇÃO NA 60ª FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE


 Foi uma alegria ter estado presente nesse tradicional evento de cultura da minha terra.



        
         Tive uma participação modesta, é claro, mas bastou para me encher de entusiasmo para novos projetos. Avivou, também, planos adormecidos, dispersos em meio a tantos outros interesses.
         Ter publicado a crônica Sabiá, acordei com saudade de você!, na Coletânea Escritos – volume 6, me credenciou para a sessão de autógrafos no último dia 7, numa das salas do Memorial do Rio Grande do Sul e também me colocou em contato com outras pessoas que, como eu, fazem do escrever mais uma forma de diálogo com o nosso conturbado mundo moderno.
         Essa tarde foi realmente especial para mim porque tive a companhia de pessoas muito queridas e a afável acolhida do organizador e dos demais autores da Coletânea.
        


          Enfim, me fez, mais uma vez, reafirmar a mim mesma que não podemos perder nenhuma oportunidade para desfrutar pequenas alegrias que alegram nossas vidas e nos animam a novas buscas.
  

Amorosamente,  Aliris
18.11.2014












quarta-feira, 5 de novembro de 2014





 VERDADE VERDADEIRA



             Todos nós, seres humanos, temos poucas certezas e muitas possibilidades.
         Dessas certezas, morrer... e também nascer são as únicas realmente certa. Já crescer, procriar, envelhecer, pode-se dizer, são quase certezas... probabilidades...
         As possibilidades que temos, ao longo da vida, entretanto, são infinitas... dependem de nós: sermos ou não felizes; sermos letrados ou iletrados; termos ou não filhos. Tudo isso depende – pode-se até afirmar com segurança – de escolhas nossas.
         É possível ser feliz mesmo em meio à adversidade. Minha tia Altiva, aos 94 anos, num leito hospitalar, com grande dificuldade de se expressar, me disse que não estava bem, mas feliz por estar falando comigo mesmo a distância. Belíssimo exemplo!
         Assim é a vida: saber vivê-la é um imperativo para sermos felizes. Nunca esquecer – da grande verdade insofismável – somos os únicos responsáveis por nossas escolhas, pelo eixo de nossa jornada!
         A nossa vida de cada dia é fruto de nossas escolhas passadas, sejam elas recentes ou longínquas, nem sempre fáceis, mas de nossa mais inteira responsabilidade. Essas escolhas podem até nos levar a prisões, mas mesmo assim continuam sendo responsabilidade nossa. A prisão, seja ela qual for, foi também escolha!
         Enfim, a vida é uma arte... e as superações de cada dia é que nos movem e nos tornam úteis ou inúteis a nós mesmos, à nossa família e ao meio em que vivemos.



Amorosamente,
Aliris
04.11.2014
        


CONVITE


              Como participo com uma crônica no livro ESCRITOS VI, compartilho o convite para o lançamento da obra.



quarta-feira, 27 de agosto de 2014

SE EU PUDESSE NOVAMENTE VIVER A MINHA VIDA...
(A meu marido e a meus filhos, coautores do meu cotidiano, há mais de 40 anos.)


Sobre essa questão, com certeza, todos nós, na vida adulta, pensamos algumas vezes. Assim eu, há poucos dias, em momento muito meu, me peguei, uma vez mais, pensando sobre isso. Pensei também que a resposta fica sempre incompleta ou comprometida pela situação que estamos vivendo naquele exato momento. Resolvi, então, que completaria o raciocínio sem o calor de nenhuma emoção, sem atropelos... E assim fiz!
Conheço o que pensaram sobre o assunto dois grandes escritores: o argentino Jorge Luis Borges, que faria grandes mudanças, enfim reescreveria a sua vida; e o brasileiro Rubem Alves, falecido recentemente, que viveria como viveu, sem retoques.
Inspirada na opinião de um e de outro, tive mais facilidade para me posicionar e concluí que faria duas modificações – que parecem pequenas – mas, com certeza, fariam toda a diferença. Enfim, minha posição se parece mais com a de Jorge Luis Borges, embora seja admiradora das ideias e reflexões de Rubem Alves.
Em primeiro lugar, com absoluta convicção, teria sido muito mais emoção do que razão. E, consequentemente, teria vivido com menos rigidez, mais harmonia, mais leveza. Que diferença para mim e para aqueles com quem convivi. Sim... convivi; porque sei que hoje sou muito mais emoção, graças a Deus!
Em segundo, não teria tido nenhuma preocupação em estar certa nesta ou naquela situação, em ter razão, teria tido, sim, apenas bons momentos, sido simplesmente feliz. Ser absolutamente certa é tão pequeno, seja no momento, seja, sobretudo, quando a questão já está desbotada pela ação do tempo, quando até se torna hilária, quiçá ridícula!
            Como não tenho mais a preocupação de marcar posição, a partir de agora vou apenas viver de acordo com o que penso, ou melhor, com o que sinto! Sei que a nossa vida é escrita um pouco a cada dia e, hoje, penso que mudar a cor da tinta que usamos é mera questão de escolha. Assim, passei a usar, a cada dia, cores mais e mais suaves, ditadas pela experiência e pela ótica da minha abençoada maturidade.
            Que bom: como as estações do ano, somos também feitos de mudanças!

                                                                              Amorosamente, Aliris

                                                                                     17.08.2014

domingo, 25 de maio de 2014

MONÓLOGO



Mar,
Diante da tua grandeza, me calo há tanto tempo! Hoje, abandono meu silêncio inexplicável e quero te dizer o que sinto quando estou diante de ti!

Mar,
A tua eterna inconstância me fascina! A tua finitude infinita alonga o meu espírito: só de pensar na tua riqueza submersa, trago à tona sentimentos também em mim submersos!

Mar,
Ao contemplar – na minha pequenez humana – o teu fraterno abraço com o infinito, sinto a grandeza do eterno que existe em mim.

Mar,
A inigualável volúpia das tuas brancas espumas, que docemente beijam as areias da praia, me fazem pensar na emocionante ternura dos fortes!

Mar,
Todos nós – indistintamente – somos regidos pelo mesmo pulsar da vida que tudo anima neste universo! Embora tão diferentes uns dos outros, cada ser deste Planeta cumpre sua trajetória: do minúsculo ao imenso, tudo se completa na sempiterna caminhada que nos iguala, nos irmana, nos conduz ao infinito...   



                                                                      Amorosamente, Aliris

Na beira do mar, em Canoa Quebrada – CE, em 20/05/2014

segunda-feira, 24 de março de 2014

A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO: UM  DEPOIMENTO


Apresento este texto em duas versões: a primeira é a original; a segunda, com muitos cortes, a que adaptei para publicação, no Diário de Santa Maria, no Dia Internacional da Mulher.
Amorosamente, Aliris
Março/2014


Primeira versão


Sempre me surpreendem os resultados de pesquisas sobre o mercado de trabalho que ressaltam marcantes diferenças entre homens e mulheres: estas afirmam que se sentem discriminadas e com remuneração inferior àqueles. Tais conclusões sempre me causam inquietação porque nunca senti, na pele, nenhuma discriminação ou tive salário inferior a homens que desempenhavam as mesmas funções que eu.  E é preciso lembrar que exerci atividades profissionais ao longo de 36 anos, em diferentes latitudes deste nosso imenso Brasil.
Acredito que essa situação peculiar que vivi se explique, primeiramente, porque meu pai nunca foi prepotente nem agressivo – muito pelo contrário, ele não era, dentro de casa, o comandante da mulher ou das filhas. Não tive, já na infância, de me colocar numa situação de defesa diante do masculino, de estar em constante estado de alerta. Com certeza, trouxe da família as lições básicas de igualdade e, obviamente, de dignidade e respeito.
Além disso, porque sempre convivi com mulheres – a começar pela minha mãe – que foram profissionais sérias e competentes, que nunca consideraram suas profissões como secundárias ou se sentiram ameaçadas pela concorrência masculina. Entre essas mulheres, destaco uma tia que, em 1952, tornou-se uma das primeiras vereadoras brasileiras, com respeitado exercício durante três mandatos.
Outro fator importante a considerar é que sou professora e, com minha formação, além de exercer o magistério, fui também servidora pública na Justiça Federal. Na atividade de professora – reconheço – exerci uma função tipicamente feminina, embora o magistério superior não seja seara apenas de mulheres. Como servidora pública, fui revisora de textos técnicos e jurídicos – tarefa, na maioria das vezes, exercida atrás da cortina do grande palco. Nos bastidores, entretanto, meu difícil trabalho de sugerir, discordar e até corrigir foi sempre muito bem acatado.
A partir das minhas vivências e com a profissão escolhida, parti para o mercado de trabalho, não como mulher, mas como pessoa que não via desigualdades e, por isso, não se colocava na posição defensiva, muito menos na de inferioridade em relação a quem quer que fosse.
Por onde passei, cumpri fielmente meus deveres profissionais e, em alguns casos, até os excedi, bem como usufrui dos direitos inerentes aos cargos exercidos, sobretudo os relativos à maternidade quando os filhos eram pequenos ou muito pequenos.
Acrescente-se a isso o fato de eu ter com meu marido relações simétricas de pessoa para pessoa e de ele ter sido um constante incentivador das minhas atividades e do meu crescimento profissional. Ele foi pai na mesma medida em que eu fui mãe: nunca tive de preencher lacunas. Dentro desse contexto, não precisei ensinar para os meus filhos a igualdade entre homem e mulher: eles a aprenderam no cotidiano familiar.  E que essa lição frutifique e possa, mesmo que em âmbito restrito, contribuir para uma vida mais digna e harmoniosa e, consequentemente, para um mundo melhor e mais justo.
Mesmo com tantas justificativas e argumentos próprios, as minhas inquietações não cessaram. Foi, então, que conversei longamente com minha irmã Ana Lúcia, engenheira civil, com 40 anos de profissão que, com imensa segurança, me disse que, tal como eu, nunca sentiu nenhuma restrição a seu exercício profissional, quer em seu escritório, que no canteiro de obras. Ouvi, ainda, a opinião das minhas duas filhas – uma jornalista e repórter do maior grupo de comunicação do país e a outra advogada da área criminal – que também me afirmaram nunca terem encontrado nenhuma restrição profissional nem se sentido diminuídas ou ameaçadas pelo fato de serem mulheres.
Então, no meu “filosofar”, pensar, questionar, dialogar, voltar a “filosofar”, concluí que essa falada discriminação à qual as mulheres se referem nada mais é do que uma história, até certo ponto, mal contada ou, mais precisamente, mal sentida.
Ficaram perguntas! Será que problemas enfrentados pelas mulheres no passado ainda as perturbam? Será que dentro de muitas famílias a distinção entre filhos e filhas é ainda fomentada?
Não sei... não sei! Talvez a discriminação da mulher no mercado de trabalho seja uma questão mais marcada em outros estratos sociais porque – preciso reconhecer –  as minhas vivências, as da minha irmã e das minhas filhas foram no mesmo patamar, ou seja, todas nós exercemos atividades que exigem formação superior. Ou terá sido mais decisivo, para todas nós, o fato de termos, desde a infância, vivido nossa condição de mulher sem nenhuma diferença diante do masculino?
Como não tenho resposta, apenas inquietação, fica a minha reflexão. Mas espero, sinceramente, que meu testemunho sirva de reflexão tanto para homens como para mulheres e que as que não tiveram, como eu, vivências familiares favoráveis superem essa marcante lacuna e se coloquem, tanto na vida privada como no mercado de trabalho, como seres humanos sem distinção de qualquer espécie.

 




Segunda versão


Embora pesquisas revelem que as mulheres são discriminadas no mercado de trabalho, nunca senti, na pele, tal discriminação. E é preciso lembrar que exerci atividades profissionais ao longo de 36 anos, em diferentes latitudes deste imenso Brasil.
Acredito que essa situação peculiar que vivi se explica, especialmente, porque meu pai nunca foi prepotente nem agressivo – muito pelo contrário, ele não era, dentro de casa, o comandante da mulher ou das filhas. Não tive, já na infância, de me colocar numa situação de defesa diante do masculino, de estar em constante estado de alerta.
Além disso, porque sempre convivi com mulheres – a começar pela minha mãe – que foram profissionais sérias e competentes, que nunca consideraram suas profissões como secundárias ou se sentiram ameaçadas pela concorrência masculina; e, também, porque sou professora e, com minha formação, além de exercer o magistério, fui também servidora pública na Justiça Federal. Na atividade de professora, exerci uma função tipicamente feminina, embora o magistério superior não seja seara apenas de mulheres. Como servidora pública, fui revisora de textos técnicos e jurídicos – tarefa, na maioria das vezes, exercida atrás da cortina do grande palco.Nos bastidores, entretanto, meu difícil trabalho de sugerir, discordar e até corrigir foi sempre muito bem acatado.
A partir das minhas vivências e com a profissão escolhida, parti para o mercado de trabalho, não como mulher, mas como pessoa que não via desigualdades e, por isso, não se colocava na posição defensiva, muito menos na de inferioridade em relação a quem quer que fosse.
Por onde passei, cumpri fielmente meus deveres profissionais e, em alguns casos, até os excedi, bem como usufrui dos direitos inerentes aos cargos exercidos, sobretudo os relativos à maternidade quando os filhos eram pequenos ou muito pequenos.
Acrescente-se a isso o fato de eu ter com meu marido relações simétricas de pessoa para pessoa e de ele ter sido um constante incentivador das minhas atividades e do meu crescimento profissional. Assim, não precisei ensinar para os meus filhos a igualdade entre homem e mulher: eles a aprenderam no cotidiano familiar. Que essa lição frutifique e possa, mesmo que em âmbito restrito, contribuir para uma vida mais digna e harmoniosa e, consequentemente, para um mundo melhor e mais justo.
Espero, sinceramente, que meu testemunho sirva de reflexão tanto para homens como para mulheres e que as que não tiveram, como eu, vivências familiares favoráveis superem essa marcante lacuna e se coloquem, tanto na vida privada como no mercado de trabalho, como seres humanos sem distinção de qualquer espécie.